Um filme que tinha um tema interessantíssimo para fazer um golaço de levar a torcida ao delírio, mas que o resultado acabou passando a 3 metros de distância do travessão. Não lí o livro originário da história, mas o que ví no filme deixou a desejar.
Max é uma criança cheia de energia que gosta de se socializar, mas que vive em uma família aparentemente desestruturada. Sua irmã não é cuidadosa com ele, seus pais são separados e sua mãe tentar conciliar arduamente o trabalho – que está para perder – com o cuidado com o filho, que deseja atenção.
Em uma determinada noite em que não consegue a atenção desejada, Max briga com sua mãe, foge de casa até encontrar – supostamente – o oceano e um barco em sua margem. O garoto entra no barco e realiza uma longa viagem sem rumo que lhe levará a uma ilha povoada por um grupo de monstros. Estes viviam em desarmonia até que Max aparece e para evitar de ser comido, afirma ser um rei.
Os primeiros contatos com o estrangeiro e os habitantes da ilha – que vivem como uma família – é bem sucedido e todos se animam com a novidade, mas cedo as caracteristicas complexas e até mesmo violentas de alguns dos nativos começam a marcar presença de modo a atrapalhar as relações e instaurar o conflito, a desordem.
É extremamente pesado o comportamento de Carol, um monstro com características bipolares que aparenta ser uma boa pessoa, mas não consegue lidar com seus sentimentos, especialmente pelos que sente por KW, monstra pela qual é apaixonado. Ciúmes e até mesmo paranóia entram em cena de modo assustador. Não é um filme para crianças.
Em determinado momento, em meio a desordem, Max diz que gostaria que os monstros tivessem uma mãe, de modo que as coisas pudessem ser organizadas e resolvidas em vez de predominar o conflito iminente. É neste momento que ocorre um paralelo entre a família que Max se encontrava e a família que possui. O garoto acaba retornando para sua casa quando, aparentemente, descobre o quão maravilhoso é seu lar e como é bom ter uma mãe.
Infelizmente o filme abusa da “viagem” e deixa de fornecer diálogos pertinentes, que são escassos. Predomina a agústia o silêncio e o descontrole no mundo dos monstros, mas muita coisa de suas histórias não são explicadas, esclarecidas – coisas que julgo serem pertinentes.
Uma situação que me tocou foi a cena em que durante uma brincadeira, monstros jogam bola de lama seca em um outro, que disse que a brincadeira estava machucando. Mesmo assim a cena é engraçada e os monstros jogam mais bolas de lama, mas a graça “vai para o saco” quando posteriormente o monstro revela um corte em seu corpo por conta da brincadeira. Realmente estava machucando mas – como era de costume – ninguém o escutava.
Rolam muitas cenas de pressão psicológica, mas faltava um pouco mais de diálogo. Sabe quando você sai do cinema esperando mais? Quando o seu time estava com os melhores jogadores, os melhores “elementos”, mas a participação foi mediana? Pois é… Torcedor se desaponta. Mas eu recomendo, definitivamente.
Nota:7,5