Coisas fora do lugar…

1 11 2009

A idéia do Post de hoje é refletir um pouco sobre o que aconteceu com a estudante da Universidade Bandeirante, Michele Vedras, na quinta-feira dia 22 de outubro, e exibir alguns pensamentos sobre o ocorrido. A situação é interessante para mostrar para aqueles que possuem a capacidade de refletir – porque afinal, quem não reflete vai achar a situação engraçada – como as coisas estão fora do lugar na nossa sociedade.

Michelle Vedras (nome fictício) teve que sair da faculdade em que cursa turismo escoltada por PM’s, após parar as  aulas por conta do vestido que usava, que chamou a atenção dos alunos. Segundo a Folha de São Paulo, cerca de 700 pessoas entre estudantes e funcionários  se reuniram ao redor da sala aonde a garota de 20 anos se refugiu.

Diante da situação, dá vontade de começar um Post como esse dizendo “O mundo está perdido”. Exageiro?  Talvez. Mas vamos aos fatos: Se alunos de uma faculdade, que são pessoas que deveriam ter o mínimo de noções de seus atos e de cidadania, conseguem literalmente perder o controle de seu comportamento por estarem em grupo, o que podem fazer pessoas não instruídas?

É curioso ver como a união entre um belo par de pernas, maquiagem bem feita, um vestido curto e a falta de bom senso (de todos os lados) podem mobilizar centenas de pessoas e seus desejos sexuais reprimidos (Freud) .  Tem muita coisa “fora do lugar”, tanto dos “homens e mulheres da caverna” que se reuniram para ver a estudante em seu vestido cor de rosa, quando na prória “Michele”, que se recusou a trocar de roupa. Ou ela gozava de um certo prazer mórbido em atrair tal multidão, ou ela é realmente sem noção em não avaliar a necessidade de se proteger. Particularmente, acredito o tempo de inocência passou.  Acredito mais na 1ª possibilidade.

Não estou de forma alguma defendendo a ação dos trogloditas que se aglomeravam para ver a menina. No limite, não duvido que toda aquela multidão estuprasse aquela que chamavam de puta. Qual é? É desejo ou e repúdio de uma puta?

Complicado é que não há um exemplo sequer de educação ou punição pra tais pessoas. Não há noção de limite, não há a noção de certo e errado. Não há educação. E como já disse em crítica à sociedade em um Post anterior (Leve Sociopatia… Ou Seria Sociofobia?), é preocupante imaginar que essas pessoas vão se tornar, futuramente, pais. Que educação essas crianças vão receber? Putz… Acho que o mundo está perdido…


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6 respostas

1 11 2009
cacremacio

Márcio, acontece que hoje em dia não podemos mais afirmar que universitários são pessoas, de alguma forma, culturalmente privilegiadas. Hoje, universidade é meramente uma indústria de diploma. É muito fácil entrar e mais fácil ainda sair. Talvez você não veja isso na PUC, mas, infelizmente é a realidade. Além disso, o problema mais profundo do nosso país é a educação. Eu morro de vergonha alheia por aquelas pessoas que tomaram o átrio da Uniban para xingar essa menina. Mesmo que ela quisesse o ibope, a melhor resposta para essa atitude seria a indiferença. O que podemos fazer? Não sei. Precisamos de uma reforma geral, de uma educação de base muito sólida, de uma melhor distribuição de renda, de saúde pública decente, de universidades que formem cidadãos. Talvez, aí, comecemos a entender o que é civilidade.
Beijo, Ca

1 11 2009
mmurtas

Cá,
Primeiramente gostaria muito de agradecer pela participação e também pelo comentário, que trouxe um assunto pra lá de interessante (e pertinente) para o Post.
Pensei um pouco sobre o que você disse sobre a PUC, e acredito que em qualquer lugar vamos encontrar pessoas como as que perseguiram a garota. Em quantidade maior em alguns cantos, menor em outros, mas sempre toparemos com esse tipo de pessoa.

A faculdade como uma indústria de diploma é.. Bem polêmico. O fato é que a faculdade deveria ser uma continuação de um ensino, que no nosso caso, já vem com qualidade baixa. Existe muita gente aproveitando a universidade para tentar aprender – inclusive a aprender o que é cidadania -, mas infelizmente, o que vemos hoje, é uma grande maioria que não se importa com nada.
Deprimente. Mas volta na questão que você disse. O que podemos fazer?
Bjs

2 11 2009
Rosangela

impressionante! me lembrei q RITA CADILLAC ia em menores vestimentas e muito mais ação fazer “trabalho voluntário” no Carandiru; e certamente ela é tratada como rainha pelos presidiários, caminhoneiros e afins até hoje! assim, esses e essas estudantes não podem NEM ser comparados aos execráveis marginais que vivem isolados da sociedade… num parece isso um absurdo?

2 11 2009
mmurtas

É, Rosangela… Veja só como as coisas estão e a que nível nós chegamos.
Observação interessante. Obrigado por comentar!
Um abraço!

14 11 2009
Luiz

Concordo com a Camila no sentido de que não dá pra levar a sério a credibilidade educacional de certas faculdades ( as UNI´s da vida) e nem o comprometimento de seus alunos. Certo dia, estava em um busão e dois alunos (UNINOVE, creio) conversavam:
– Putz, cara, entrei na uninove mas, aí, os professores tão pegando muito pesado, a gente tem até que estudar!
– É meu, complicado. O esquema é estudar agora que entrou na faculdade.
– Ah, mas eu não estudei pra entrar, por que deveria estudar pra sair?
– Hum.. sei lá véio.

É redundante e óbvio dizer que uma faculdade é feita por seus alunos, e que logo não dá pra esperar muito de estudantes cuja mentalidade pode ser esboçada a partir do diálogo acima.

Em compensação, em faculdades, como dizem, “de playboy” como PUC, Cásper e USP, também há pessoas exatamente iguais, com a mesma mentalidade, mas com algum dinheiro a mais, o que, pragmaticamente, faz uma grande diferença no Brasil. Acho que a religião – isso mesmo, aquela que condena a ingestãode bebidas alcólicas e repudia vestidos curtos – também tem uma grande parcela de culpa nessa história.

E como diria o cavaleiro andante: “A loucura é o sol que não deixa o juízo apodrecer”.

ps. Traz mais bolo.

7 02 2010
Mas que beleza, hein? « Pois é… Deu na minha telha.

[...] e turvava minhas idéias. Mas uma coisa eu conseguia ver sem precisar pensar muito; como as coisas estão fora do lugar. Não [...]

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