Redefinindo Conceitos

26 06 2009

murta 374O Nissan GT-R é um automóvel proveniente de uma linhagem com muito pedigree. As suas versões anteriores faziam os apaixonados por esportivos suspirarem, pelo potencial, e aparência imponente que possuíam.

O design dessa geração, entretanto, gera polêmica. Há aqueles que o acham feio de doer, e há quem diga que ele é lindo. O fato é que o GTR tem um charme exclusivo. As lanternas traseiras, redondas, evocam a imagem de seus ancestrais. Ele é baixo, largo, com linhas que além de passarem a nítida sensação de velocidade, são futuristas, e agressivas sem caírem na vulgaridade.  Para aqueles que são desligados e que não repararem nas enormes rodas e pneus, para os freios Brembo à amostra, no discreto aerofólio, e para as quatro saídas de escape, o GTR até se passa como um novo automóvel futurista normal. Normal até o motorista resolver dar uma esticada…

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Um carro normal não faz de 0 a 100 km/h em 3,8 segundos, alcança 309 km/h, ou atinge tanta aceleração lateral em suas curvas, que é necessário existir uma pequena borda interna nas suas rodas para impedir que os pneus – que são preenchidos com nitrogênio, em vez de ar…- sejam arrancados nas curvas mais fortes…

A engenharia empregada nesse veículo parece estar em outra era, se comparada à tecnologia empregada em outros esportivos e superesportivos atuais. O GTR pode não possuir, por exemplo, um propulsor 16.2 com 16 cilindros e quatro turbo, que gera 1001cv, como o Bugatti Veyron, mas o seu “simples” V6 3.6 bi turbo, que gera “apenas” 480cv, o faz completar uma volta em Nurburgring (que possui 20,6 km), na Alemanha, em 7 minutos e 38 segundos, enquanto o Veyron completa o mesmo percurso em 7 minutos e 40 segundos.

A façanha que o Nissan GTR realiza, de completar uma volta em Nurburgring 2 segundos mais rápido que o Bugatti Veyron, ambos com tração nas quatro rodas, se torna mais interessante ainda se observarmos ao fato de que a relação peso-potência do Bugatti é de 1,95 kg para cada cavalo gerado pelo motor, enquanto cada cavalo gerado pelo propulsor do GTR leva 3,6kg.   

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O que o torna tão rápido na pista, mesmo pesando 1740 kg, é a perfeita aliança entre o motor, que gera 60mkgf de torque entre 3200 e 5200 RPM, e 480cv a 6400 RPM, a caixa de marcha DSG (com uma embreagem para a 1ª, 3ª e 5ª marcha, e outra para a 2ª, 4ª e 6ª), e o eficientíssimo sistema de tração 4×4, amparado eletronicamente. Ainda existem muitos outros fatores de engenharia que se somam para chegar a um resultado tão surpreendente, como os freios Brembo de 15 polegadas na dianteira, geometria da suspensão finamente desenvolvida, entre diversos outros recursos.

Fascinante também é o fato de que esse automóvel aproxima dois mundos: Possui o desempenho de super esportivo, e pode transportar cinco pessoas calmamente pela cidade ou em uma viagem. Parece ser um sedã esportivo perfeito.

Há, por sinal, apenas um “porém” nesse automóvel. Toda a série de Nissan Skylines, especialmente a R33 e R34 (esse modelo GTR seria considerado o R35) são muito visadas por preparadores automotivos ao redor mundo, pelo excelente conjunto de motor, câmbio e sistema de tração, que possuem potencial de sobra para preparações que alteram a sua potência original de 280cv, para além (logicamente, com componentes reforçados) dos 1200cv.  O R35, dizem preparadores especializados no EUA, é um propulsor que sai da fábrica com os seus componentes no máximo de eficiência, o que torna a tarefa de gerar ainda mais potência muito delicada, e requer grandes investimentos financeiros. 

Pode ser que demore anos, mas o sonho de ver um GTR despejando algo em torno de 800cv em uma pista não tem pressa… E tenho fé de que ele vai se realizar!

 

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