Amor… Paixão Adrenalina à primeira vista. Foi exatamente isso que o pequeno hatch da Fiat despertou em mim no primeiro contato. Até então havia apenas escutado falar sobre o modelo, mas agora eu eu estava observando-o e com sua chave na minha mão.
Externamente o modelo apresenta Pneus mais largos e de Perfil baixo, rodas de aro 17″, suspensão levemente rebaixada, um body kit agressivo e cor bem chamativa. O Punto T-Jet tem personalidade, e eu gosto dela. Entro na cabine e percebo que seu interior é aconchegante, o indicador da pressão no turbo no painel é convidativo, e a direção dura, assim como o banco com excelente apoio, passam segurança para realizar curvas.
Interior bem acabado do modelo agrada. Assentos esportivos merecem destaque
Não perco muito tempo para me acomodar no banco, ajeitar os espelhos, regular a altura e a profundidade do volante e acertar o banco na minha posição predileta enquanto tento controlar a adrenalina que já fazia as minhas pernas tremerem um pouco. O Motivo? Um motor 1.4 16 válvulas que conta com a ajuda de um diminuto turbo que envia picos de 1 bar de puro fôlego para o motor.

Painel informando a pressão do turbo
Giro a chave, respiro fundo, e coloco o T-Jet em movimento. É a hora da verdade. Anda ou não anda? É um esportivo de verdade? É um lobo em pele de cordeiro, ou cordeiro em pele de lobo? Veja abaixo…
Saindo da redação
Quando diriginda calmamente, como fiz nos primeiros quiômetros, a versão esportiva do Punto me surpreedeu por ser suave. Seu motor não apresentou surpresa no anda e para do trânsito, e sua suspensão, apesar de possuir uma calibragem mais voltada para a esportividade do que em uma versão comum, é até confortável.
Produzindo 152 cavalos de potência a5500 rpm e 21,1 kgfm de torque a 4500 rpm, o propulsor não é um demônio, mas é um mais que respeitável capetinha. Os 100 km/h, segundo a Fiat, são atingidos em apenas 8s4 e a velocidade máxima é de 203 km/h. Números que eu acredito condizerem com a relidade.
O punto tem uma pegada forte, é divertido de ser dirigido e é capaz de deixar muitos modelos de maior potência, cilindrada e valor comendo poeira.

TJet na sombra do portão. Compacto nada comportado
Dirigir o T-Jet pode ser um tanto complicado, no entanto, em duas situações. A primeira e pior delas é o seu câmbio, nada preciso para tocada esportiva. A segunda é a sua faixa útil de rotação; O carro pouco andará – ou simplesmente não andará – abaixo de 2000 rpm. Não espere uma retomada vigorosa de 3ª marcha partindo de 1000 rpm. Isso, entretanto, é uma questão de bom senso e se adequar às características do TJet.
Fora esses dois fatores pontuais o esportivo agradou, e muito. Seus freios foram sempre eficientes e progresivos, a suspensão mantém um bom balanço entre conforto e esportividade e a tração do modelo não deixa a desejar. A relação de marchas relativamente curta ajuda a manter o giro sempre alto e o turbo sempre ativo. Cuidado apenas para não lixar os pneus 205/50, especialmente em acelerações na 1ª marcha.
Entre o momento em que peguei o esportiv,o às 16h de um dia, e devolvê-lo às 11 horas do dia seguinte, rodei mais de 150 km somente avaliando suas retomadas, dinâmica em curvas e frenagens e o simples rodar no trânsito de São Paulo.
Aviso aos navegantes
Os que dirigirem o T-Jet pela primeira vez podem estranhar a forte entrada da turbina a partir dos 2500 rpm. Nada, no entanto, que o tempo não ensine a dosar melhor o pé do acelerador. As acelerações e retomadas feitas a partir de 2000 rpm são animadoras.
Outra informação que se deve ter em mente é que a reação do T-Jet, assim como de qualquer outro turbinado ( em diferentes níveis, obviamente) é muito diferente de um motor pequeno aspirado. Ele requer cuidado em curvas, especialmente em giros médios e altos. Nessa situação, se o motorista acelerar um pouco antes do ponto certo, a vigorosa entrada do turbo acelerá demais o modelo, que correrá o sério risco de escapar pela tangente.
Outra situação é a facilidade em que altas velocidades são atingidas, que em muitos casos o motorista não percebe. Algo como “caramba, eu acelerei forte por 7 segundos e já estou nessa velocidade?”. Em situações de entrada de marginal, por exemplo, no mesmo tempo que levo para atingir 90km/h em meu corsa 1.8, o punto ultrapassoou os 110 km/h. É um brinquedo divertido, mas cuidado para não vacilar. Maior a velocidade significa menor tempo e espaço para realizar correções.
Digo apenas que o hatch da Fiat seria mais animador se seu escape produzisse um timbre um pouco mais esportivo e nervoso. Não que o T-Jet seja muito silencioso, mas o som por ele produzido, em minha opnião, acaba não passando para o motorista uma das coisas mais divertidas em um esportivo: a sensação de velocidade e de motor nervoso.
Nem sempre a velocidade é a coisa mais importante na hora de dirigir um esportivo, e sim o conjunto de sensações que o modelo promove. O Punto acabou não me aimando tanto quanto eu esperava, apesar do ótimo desempenho e precisão. Falto um pouco da sensação.
Por R$ 60 930, no entanto, acho o T-Jet uma “barganha”, especialmente pelo fato dele realmente ser bem acertado e de não possuir um concorrente direto. Eu compraria um se dispusesse de capital.
Pequeno modelo é imponente. E a foto é meio nada haver…
Fotos: Márcio Murta