Veio sem aviso. Como uma onda que move troncos e redefine o desenho da areia de uma praia, nossa alegria foi varrida repentinamente quando uma briga começou na festa de formatura da turma de desenho industrial da Faap, nas primeiras horas deste domingo.
Uma multidão se movimentando em frenesi, mulheres gritando, luzes sendo acendidas enquanto a música foi desligada colaboraram para que as duas novas e angustiadas perguntas da noite surgissem: Aonde estão meus amigos? Será que eles estão bem?
Assisti de longe a confusão e curiosamente travei sem conseguir dar qualquer passo. O fato é que fiquei de pernas trêmulas por um bom tempo, procurando um rosto conhecido, até que o pai do meu amigo formando retornou para a mesa, trazendo em seu rosto uma feição preocupada e o corte causado por um soco. A sensação que tive foi de que um murro me acertara o estômago enquanto tentava acreditar na cena. Um pai de família que num gesto tão nobre (quanto arriscado – conforme foi comprovado), sai em busca do filho e da filha, que corriam risco, que acabou por retornar para a mesa machucado.
Após a nossa “família” se reagrupar aos poucos depois da confusão – e o meu clima para a festa ter se dissipado – predominou a aliviante sensação de todos, apesar de abalados, estarem alí juntos, vivos e com saúde. Quem está a par com o que acontece no mundo sabe que os danos foram mínimos, que as coisas poderiam ter sido bem piores. Mas era olhar para o pai de meu amigo desajeitado e sua filha em prantos que vinha a tona toda a tristeza e o pensamento de que qualquer situação como a por nós vivenciada não é nada menos do que imbecil. Voltei para casa decepcionado, numa marola que embaralhava meus pensamentos e turvava minhas idéias. Mas uma coisa eu conseguia ver sem precisar pensar muito; como as coisas estão fora do lugar. Não é?
Ódio Gera ódio
Situações como essa são extremamente complicadas. É aquele clássico lema de “uma coisa leva a outra”. Violência só gera mais violência e essa cadeia só é quebrada e não piora quando alguém engole um sapo – ou não revida um soco na cara. E fico imaginando o que não sentiria se estivesse no lugar do meu companheiro, cujo pai foi tentar fornecer proteção.
O grande fato é que viver em sociedade torna-se cada vez mais complicado. Já escrevi antes sobre a Sociopadia ou Sociofobia que tenho ao observar o comportamento das pessoas que, cá para nós, não sabem o conceito de sociedade e portanto, vivem em um agrupamento. Moram juntas mas se preocupam apenas consigo mesmas e seus próximos. Quanto ao resto das pessoas… Ué, existe resto?
Também é interessante observar que uma boa situação financeira não significa ter educação – ou um comportamento equilibrado, sadio. É interessante ver que dinheiro abre portas, mas não necessáriamente forma cidadãos ou cria valores éticos e morais. $ promove a possibilidade para a educação, mas isso não garante absolutamente nada. Chega a ser estranho a quantidade de pessoas que não consegue criar valores que envolvam o próximo. Tem muita gente que não sabe, mas eu não vivo sem você e você não vive sem mim. Quase como eros e tânatos. E na hora que esta realidade for esquecida de vez, como acontece cada vez mais, nós estaremos perdidos.
Seja racional. Pense. Faça terapia, se necessário. Olha ao redor! Lembre-se que o mundo não começa nem terminará em você; que seus atos definem as ações de muitas pessoas. Se você pensar minimamente, terá a capacidade de enchergar que tudo o que não precisamos é de uma cicatriz no rosto de uma pessoa do bem.
Assista ao vídeo abaixo e começe a pensar.























